Macquinária 21

Macquinária 21

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Segundo espetáculo da Trilogia da Crueldade, iniciada com o espetáculo Aldebaran (2013), Macquinária 21 resulta em uma livre adaptação da obra “Macbeth”, de William Shakespeare, numa referência à violência dos tempos em que vivemos. No espetáculo, as engrenagens cênicas refletem esta realidade enquanto materializam os mecanismos da imaginação de Macbeth e suas pulsões destrutivas na luta pela manutenção do poder. As bruxas na cena, transportadas da tragédia de Shakespeare para os dias atuais, são figuras emblemáticas. Senhoras do destino, suas previsões instigam a fome do poder e o instinto de violência, cenicamente  traduzidos pelos sons agressivos das máquinas e bate-estacas, e pela própria ação dos bonecos e personagens. O vídeo e as reproduções de quadros renascentistas interagem cenicamente como releituras adaptadas à temática do espetáculo. Paralelamente quebram as fronteiras do tempo, valorizando o onírico, a fantasia e a imaginação na interpretação da tragédia shakespereana.

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Com uma experiência artística de 39 anos, esta foi a primeira vez que o GOM montou um trabalho inspirado na obra de Shakespeare, falecido há exatos 400 anos. Esta nova montagem dá  continuidade as experiências anteriores envolvendo objetos do cotidiano que em Macquinária 21 são valorizadas e resignificadas dentro do tema do espetáculo como fontes sonoras não convencionais. Foi também sob esta perspectiva que escolhemos o título Macquinária 21 associando as iniciais do nome Macbeth à palavra máquina. As máquinas no espetáculo foram construídas sob a ótica de assemblages e fazem uma referência às máquinas de guerra criadas por Leonardo da Vinci e dividem a cena com os  atores sem qualquer hierarquia.

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O grupo já visitou em suas montagens textos de James Joyce, Kafka, Tchékhov, Beckett, Federico García Lorca, Ferreira Gullar, Oswald de Andrade, Jorge Luis Borges, dentre outros. Esta é a primeira vez que o GOM cria um trabalho a partir da obra do grande dramaturgo William Shakespeare, que em 2016 completou 400 anos de morte. Esta nova montagem chega num momento em que o grupo vem amadurecendo sua linguagem cênica multimeios com ênfase na valorização de objetos cotidianos. Sobre esta perspectiva escolhemos o título Macquinária 21 fazendo uma referência a Macbeth, e às máquinas que, pensadas como assemblages, sem qualquer hierarquia, dividem a cena com os atores.

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