A Casa de Bernarda Alba

Sinopse

A Casa de Bernarda Alba do Grupo Oficcina Multimédia foi pensada como uma casa móvel, onde se enfumaçam os contornos entre o sonho e a realidade. A história se passa no interior da Espanha em meados do século passado. Tudo tem início quando a viúva Bernarda Alba decreta um luto de 8 anos para a família, encarcerando suas 5 filhas jovens dentro de casa. Neste ambiente sufocante, portas e janelas se abrem para o nada e os personagens circulam nervosos, ruminando seu próprio sofrimento enquanto tecem a cada passo a trama trágica de uma família onde ninguém vai ser poupado.

Fotos

B.A aberturaB.A BernardaB.A fimB.A nostalgiaB.A teares

Fotos: Guto Muniz

Música, cenário, vídeo e personagens

O vídeo no espetáculo,traz para a cena, imagens filmadas em Ouro Preto, numa alusão à nossa tradição mineira em seu caráter ao mesmo tempo sombrio e magnífico. Com ele também transitamos pelo lado de fora da casa de Bernarda Alba e nos deparamos com a crueza e as promessas de um mundo cheio de mistérios ao qual as heroínas da estória, trágicas em sua condição de prisioneiras, não têm acesso.

A movimentação cênica dos atores é resultante de uma operação construtivista que se manifesta também na elaboração do cenário. A estrutura espacial, definida pelo jogo de volumes , pelas múltiplas ordenações simultâneas e consecutivas reordenações de planos, definem uma visão cubista fiel à própria linguagem de Lorca em seus poemas. Neste cenário transitam os personagens , ambientando cada momento do espetáculo de acordo com sua tensão dramática peculiar.

A trilha sonora de Bernarda Alba faz referência à tradição mourisca na cultura hispânica, através dos sons e ritmos das tablas islâmicas – próximos também aos da música brasileira – assim como incorpora os instrumentos primitivos da cultura oriental (China, Tailândia, Indonésia, Romênia) à sonoridade lânguida dos violões espanhóis (Issac Albeniz, Francisco Tárrega), em sua construção melódica similar ao de nossa modinha mineira. Como pano de fundo, a sonoridade dos sinos da Igreja S. Francisco de Assis de Ouro Preto ambientam a atmosfera de um funeral marcando a presença da morte dentro do espetáculo.

As citações visuais de Pablo Picasso e suas Les Demoiselles d’Avingon (1907), que marcaram o início do cubismo na história da arte, e de Velázquez com As meninas (1656), foram recursos utilizados na programação visual de Adriana Peliano com o objetivo de referenciar a própria cultura hispânica e homenagear seu dramaturgo mais importante, fazendo uma alusão ao binômia tradição/vanguarda, marcante em toda a trajetória de García Lorca.

Ficha técnica

Direção
Ione De Medeiros

Elenco
Dulce Coppedê
Escandar Alcici Curi
Francisco César
Leandro Silva
Juliana Guerra
Jonnatha Horta Fortes
Marcos Ferreira
Rafael Otávio
Regina Célia
Mônica Ribeiro (Participação Especial)

2ª Etapa
Samira Ávila
Henrique Torres Mourão
Cíntia Paulino
Eva Queiroz
Clarice Peluso
Fernanda Lima

Coordenação Corporal e Assessoria Cênica
Mônica Ribeiro

Assistência Vocal
Ernani Maletta

Iluminação
Leonardo Pavanello

Trilha Sonora, Concepção Cenográfica e Figurinos
Ione De Medeiros

Confecção do Figurino
Maria Rosa Ferreira Gonçalves

Fotos
Guto Muniz

Execução Cenográfica
Reinan Gazola E Grupo Oficcina Multimédia

Vídeo
Sérgio Borges

Desenhos
Ione De Medeiros

Programação Visual
Adriana Peliano